Artigo 2. Dr. Simon Warner

No segundo artigo de nossa série, a FOLIUM Science discute alguns dos grandes desafios da cadeia de suprimento de alimentos, como as atitudes em relação à biociência e às novas tecnologias diferem em todo o mundo, como o financiamento de novas pesquisas precisa ser gerenciado e onde estarão as oportunidades de investimento em biociência.

Pedimos aos especialistas da FOLIUM Science que refletissem sobre o papel da biociência na cadeia de suprimento de alimentos e aproveitassem suas experiências pessoais para imaginar como seria o futuro.

O Diretor de Desenvolvimento de Ciências da FOLIUM, Dr. Simon Warner, compartilha algumas ideias sobre como a adoção das mudanças tecnológicas.

“Nos últimos dez anos têm sido observadas diferentes resposta às novas tecnologias, dependendo de onde você está no mundo. EUA, China e Brasil adotaram novas tecnologias muito mais rapidamente que a Europa. O foco na Europa tem sido mais orientado para soluções biológicas e redução de pesticidas, por exemplo, nenhuma das quais são más opções, mas, como resultado, algumas das novas e poderosas tecnologias não se saíram tão bem. ”

Isso pode ser atribuído às crenças e comportamentos inerentes, que estão enraizados nas respectivas sociedades, bem como às diferentes taxas de crescimento agrícola e econômico nas diferentes regiões. Mas também consequência da percepção de futuro e das habilidades que a próxima geração exigirá.

Simon acredita que a educação em ciências pode ser um dos fatores que influenciam o nível de adoção de novas tecnologias.

“Os países em desenvolvimento estão se esforçando para garantir que a próxima geração se beneficie o máximo possível da educação científica, enquanto na Europa valorizamos outras coisas. O Reino Unido, em particular, está mais focado em finanças e outros serviços, e o foco em agricultura, na Europa, é muito pequeno, com um pequeno número de agricultores em proporção ao tamanho de sua população. Isso significa que muitos consumidores europeus perderam o contato com a agricultura, de forma que embora tenhamos observado o desenvolvimento de algumas excelentes novas tecnologias, sua implantação e aceitação pública são diferentes em todo o mundo”.

Organismos geneticamente modificados (OGM) são um exemplo disso. Desenvolvidos pela primeira vez na década de 1970 e aprimorados por meio de tecnologias de segunda geração nas décadas subsequentes, as técnicas de biologia sintética de hoje estão passando por uma terceira onda de evolução com o advento da tecnologia CRISPR.

Esse tipo de biociência tem a capacidade de acelerar o ritmo do crescimento agrícola. As linhagens modernas de trigo e cevada foram desenvolvidas usando técnicas de seleção de plantas com as características genéticas desejadas. Neste contexto, a biologia sintética, como o CRISPR, pode desempenhar um papel importante nesse processo.

Em funções anteriores, Simon adquiriu experiência com doenças virais, como malária, Zika e dengue.

“A malária ainda mata até três milhões de pessoas por ano, sendo as crianças desproporcionalmente afetadas. Essas doenças são transmitidas por mosquitos e ainda não foi desenvolvida uma vacina que seja realmente eficaz, portanto, a única alternativa atual é gerenciar a população de insetos ”

Simon acredita que as lições podem ser aprendidas com a maneira como esses projetos foram financiados. Grande parte do trabalho sobre doenças transmitidas por mosquitos foi financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates, mas a pandemia de Covid-19 coloca uma questão sobre se veremos uma maior colaboração entre cientistas ou se ocorrerá uma abordagem competitiva e mais isolada.

“A Innovate UK anunciou uma concorrência de 20 milhões de Libras para ações contra o Covid-19 para empresas do Reino Unido, com doações máximas de 50 mil Libras por empresa. Isso incentiva a competição, mas não a colaboração. Portanto, está em debate se muitos laboratórios de pequeno porte com pequenas quantias de dinheiro oferecerão uma solução melhor do que um consórcio colaborativo maior, com fundos mínimos de 1 milhão de Libras. Diferentes países adotam abordagens diferentes, mas seria bom ver a comunidade científica trabalhando junta nesse desafio”.

Quando se trata de proteger os consumidores dos riscos contínuos à segurança alimentar, é imperativo garantir que o público não tome como garantida a segurança alimentar e que se perceba que, sem uma boa ciência, isso se tornará um real problema.

“Poderíamos dizer que proibir o uso de antibióticos como promotores de crescimento para a produção animal é uma política sensata, reservando o uso de antibióticos apenas como medicamentos veterinários, mas as consequências disso também podem inadvertidamente causar contaminação na cadeia de suprimento de alimentos com patógenos e bactérias indesejadas, como a Salmonella. Portanto, a redução do uso de antibióticos para enfrentar da questão da resistência bacteriana e pode levar a outros riscos. Portanto, precisamos de alternativas que apoiem o bem-estar animal e que reduzam o risco de infecções. Nossa plataforma Guided Biotics® foi projetada para resolver isso”.

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Simon tem convicção de que a ciência terá um papel importante em um suprimento de alimentos sustentável e seguro. Com uma população mundial cada vez maior, enfrentaremos grandes riscos e desafios pela frente.

“Todos nós esquecemos, como europeus complacentes, que o mundo não terá comida suficiente a partir de 2030, então há um grande risco a enfrentar. Não haverá comida suficiente ou proteína animal suficiente. Isso ocorre devido a produtividade insuficiente e às mudanças comportamentais. A China está demandando mais carne e o consumo de carne no mundo ocidental não será sustentável, pois a área cultivada e a disponibilidade de água se tornam fatores limitantes. A ciência tem um papel a desempenhar na promoção do aumento da produtividade das áreas agrícolas existentes para combater os problemas causados ​​pelas mudanças climáticas, mudanças nos padrões de chuva e pela escassez de água”.

A biotecnologia já resolveu, há muito tempo, as questões de preservação de alimentos. O uso de alimentos e bebidas fermentados para tornar seguros os alimentos e água, assim como o desenvolvendo de cervejas e pães, são exemplos de como a biotecnologia tem sempre desempenhado um importante papel na segurança de nossos alimentos.

Então, a longo prazo, o que significa tudo isso para os investidores e como eles apoiam a biotecnologia no futuro? Simon acredita que o uso da tecnologia para impulsionar a eficiência e a produtividade será fundamental.

“A longo prazo, os problemas que enfrentaremos serão relacionados a como aumentar a produtividade das lavouras em um mundo onde cada vez menos novos defensivos agrícolas vem sendo registrados. Encontrar maneiras de proteger as plantas e as lavouras está, portanto, se tornando mais desafiador. As oportunidades estão na tecnologia que pode aumentar a produtividade e a eficiência em um mundo onde os recursos estão se tornando cada vez mais escassos. E, considerando as diferentes atitudes do público frente às novas tecnologias, é fundamental que as soluções biológicas tragam apenas a melhoria dos indicadores para os quais elas serão adotadas”.

Para concluir, novas biotecnologias para a cadeia de suprimento de alimentos são vitais, mas a taxa de adoção dependerá em parte de como as populações locais percebem a ciência. A implementação é mais provável em países que historicamente têm sido mais receptivos às novas tecnologias, como Estados Unidos, Ásia e América do Sul ou onde o processo de tomada de decisões com base em ciência é considerado importante.

A otimização dos modelos de financiamento para pesquisa e desenvolvimento contribuirá para o sucesso de novas iniciativas, incluindo a busca de tratamentos para as pandemias globais. Resta ver qual alternativa se mostrará mais eficaz: uma colaboração orientada à concorrência ou  abordagens de consórcios maiores.

Finalmente, as oportunidades de investimento em biotecnologia estarão em tecnologias que proporcionam eficiência de produção, maiores produtividades e capazes de proteger a saúde pública de patógenos indesejados.

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